PREÂMBULO
Mestres, futuros mestres e toda a humanidade. Considerando que:
- A Era Planetária teve início no século XVI com as grandes navegações.
- O conhecimento se expandiu de tal forma que, perdemos de vista a complexidade, o tecido comum que o une. Criamos separações no conhecimento.
- A nossa ação ou a nossa conivência com o que ocorre no mundo traz um desencadeamento de reações com conseqüências globais.
- A sociedade está "doente", bem como o planeta. Este se encontra oprimido pela humanidade, sendo que, neste caso o planeta, enquanto oprimido, também assume a posição de opressor ao reagir às ações humanas.
- A Natureza está no Homem e o Homem está na Natureza, sendo constituído por ela e dela dependendo para existir. A Natureza é condição sine qua non à existência e sobrevivência humana.
- Os valores socialmente e historicamente construídos tendem a se difundir de forma cada vez mais ampla e rápida nos locais sujeitos e abertos a eles. Estes valores estão em constante processo de construção, reconstrução e conflito logo, nunca serão definitivos.
- A tecnologia, a mídia e a escola oferecem a possibilidade da difusão dos valores dominantes, bem como a possibilidade da crítica a estes e a construção e difusão de novos valores.
- O homem "produz" conhecimento a partir de imagens possíveis pela sua percepção, não do real. Erro e/ou a ilusão são inerentes ao conhecimento.
- Os valores, as idéias, o conhecimento e a consciência trazem consigo suas contradições. Essas são nossas armas, nossos escudos, nossos pontos fracos e fortes.
- A razão e a emoção são limitadas e complementares. Já a imaginação não possui limites, sendo esta muito útil, porém, perigosa.
- A excessiva distinção e especialização, por vezes, criam separações de "coisas" de naturezas comuns e interdependentes, prejudicando a visão da relação entre estas e da percepção de seu caráter metamórfico.
- Expostos os itens acima, se faz urgente uma Educação para a Era Planetária. Visando construir na coletividade um espírito consciente, ético, racional e afetivo para com nossa existência e a do planeta. Destinando-se este manifesto à comunidade acadêmica, estando aberto à humanidade como um todo.
DENÚNCIA
Povo da Terra. Denunciamos aqui nossa própria postura, nossa conivência com o que ocorre. Nos manifestamos contra a falta de esperança, a falta de crença, o fatalismo que toma nossos corações. Nos indignamos com a “auto subestimação” que construímos ao longo da história, mesmo com o potencial que inúmeras vezes mostramos possuir. Não toleramos o mau uso que fazemos da nossa capacidade criadora. A natureza passou a ser vista como mera fonte de extração de riquezas e, o homem perdeu seu espírito de união e afetividade pelo planeta, separando-se dele e de si próprio. Nos manifestamos contra a ganância humana que se disfarça de necessidade.
Para falarmos de Ecologia é necessário que entendamos primeiramente o conceito: A palavra ecologia foi criada pelo biólogo alemão Ernst Haeckel, e deriva de duas palavras gregas: olkos, que significa casa e, num sentido mais amplo, ambiente, e logos, que quer dizer ciência ou estudo. Assim, ecologia significa ciência do ambiente o uma definição mais completa, a ciência que estuda as relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem.
Ora, o homem apesar de toda a ciência e tecnologia tem destruído sua própria casa, que é o seu planeta com seus atos indiscriminados e sem visão de que as próximas gerações ainda vão necessitar viver neste “planetinha”.
Com uma visão apenas do momento em que vive, o homem tem usado recursos não renováveis como os minérios e o petróleo como se jamais fosse se esgotar. E mesmo recursos renováveis como a água, por conta de seus ciclos naturais, têm sido usados com desperdício, numa velocidade que a natureza não consegue refazer. Em breve, mesmo no Brasil, onde os recursos hídricos são grandes, haverá escassez de água por conta do desperdício de alguns, muitos ficarão sem água (um grande número de pessoas já sofre com o problema).
A grande culpa pela destruição do planeta tem endereço certo. É de alguns poucos homens e empresas poderosas e que tentam dividir suas responsabilidades por tal destruição com os inocentes. Esperamos que seja possível convencer até mesmo parcela destes homens a adotarem uma postura favorável, fazendo-os perceber que, como diz Marina Silva, “o custo do cuidado é sempre menor que o custo do reparo". Já que estes homens se movem pelo dinheiro, seus propósitos questionáveis podem ser úteis aos nossos objetivos.
Nossa luta e nossas ações não se justificam pelo sentimento da parcela de culpa que temos por causarmos danos ao planeta, mas, pelo sentimento de que nossas pequenas ações cotidianas contribuirão para a formação de um novo espírito afetivo, uma nova tradição a se arraigar nas novas gerações e contribuir para a tomada de consciência dos que habitam o planeta.
UM NOVO POSICIONAMENTO
Convocamos todos a refletir com o exposto e a adotar uma nova postura, a quebrar velhos paradigmas. A pensar sobre nossa ética, nossa moral, a limpar nossa consciência, higienizar nosso espírito e trabalhar para transmiti-lo. Convidamos todos a agir.
Nossa sociedade tem encontrado cada vez mais diversidade nas prateleiras do consumo. De produtos básicos aos absolutamente desnecessários, devora-se quase tudo. Resultado disso é uma enorme quantidade de lixo, que já não pode ser simplesmente “eliminada” da face da Terra e que tende a piorar. Reciclagem de materiais, consciência sobre o lixo gerado pelas pessoas são alguns dos passos imprescindíveis para a nossa sobrevivência no planeta. Como vocês imaginam que cada um de nós pode contribuir para resolver isso?
Precisamos adotar um consumo consciente para evitar desperdício e para diminuir a poluição. Investir em: meios de transporte menos poluentes; tratamento de esgoto e coleta seletiva do lixo; fiscalização e punição efetiva para os principais responsáveis pela degradação do meio ambiente; formação dos professores para que eles possam, com qualidade, educar a nova geração para uma sociedade sustentável.
A Ecologia visa não só a questão imediata, mas o futuro da Terra e dos que nela habitam. Numa visão mais humanista é preciso aprender a cuidar de si mesmo para, a partir daí, cuidar do outro. Assim teremos uma sociedade preocupada em preservar não só a natureza, mas também seu próprio futuro. As brincadeiras indígenas quase sempre estão ligadas às atividades em grupo, de cooperação e de contato com a natureza, enquanto a sociedade, de um modo geral, se diverte “distante” da natureza e competindo. Teremos nós que aprender com a “ingenuidade das crianças”, com os “atrasados povos indígenas” e com os “animais irracionais”? Se somos superiores, porque não adotamos a postura destes que são erroneamente ditos inferiores e incompletos?
Para se defender algo, deve-se fazê-lo com emoção, com afeto, de forma verdadeira. Nunca só pela razão, pela necessidade ou por demagogia. Aqui se encontra o grande erro. Muitos defendem o que nem eles acreditam, por pura demagogia. Se Descartes concluiu ”penso, logo existo”, cabe a nós não esquecermos de outras dimensões ou fatores necessários a nossa existência ou à permanência desta. Sentir, refletir e manter a ética são essenciais à permanência de nossa existência. A depender unicamente do pensamento acabaremos destruindo tudo a volta e consequentemente a nós mesmos. Nos conduziremos ao penso, logo deixei de existir.
Para agir é necessário buscar um fim, é necessário acreditar e possuir uma técnica para tanto. Se esta técnica e os meios para alcançarmos nossos objetivos se mostrarem insuficientes, não devemos nos render. A postura ética, a vontade e a perseverança trarão, com o tempo, a técnica que possa faltar.
É interessante unir forças para lutar pelas nossas causas, mas, cabe ressaltar que a união, se mal articulada, pode trazer também a segregação e que ações isoladas de indivíduos podem trazer benefícios muito importantes (se ocorrerem simultaneamente). Portanto, o fatalismo e o sentimento de luta solitária não se justificam.
Convidamos vocês, cidadãos da Terra, a se reeducarem e a educarem de outra forma. Uma educação que resgate a intuição, as tradições; que busque a ética tendo a consciência da possibilidade da falta de ética. Uma educação menos burocrática, com um toque mítico, um toque de esperança. Que busque as origens do erro, que estabeleça a autocrítica. Uma educação que vá além do conhecimento tal qual é concebido hoje; que busque contextualizar, dar uma visão global e multidimensional dos fatos e atos, do todo e das partes; que trabalhe a “inteligência geral”, que resgate o tecido que une o conhecimento; que respeite a individualidade, a coletividade, a diversidade e a veja como igualdade.
O presente manifesto está à disposição da humanidade. Que este seja apropriado por ela, que a guie por melhores caminhos. Que sirva como referência e que seja criticado. Que seja assinado por todo aquele que quiser adotá-lo e divulgá-lo. Que se faça.
Weidson Leles Gomes
Fernanda Ribeiro
Luciléia Silva
Narjara Fune
Pamela Schrier
Thays Souza



